Os bastidores financeiros do futebol revelam que o sucesso no campo é apenas metade da vitória.
Para os jogadores que movimentam cifras bilionárias, a verdadeira tática de mestre acontece fora das quatro linhas, nas mesas de planejamento tributário. O objetivo é claro: proteger o patrimônio contra as altas mordidas dos fiscos europeus e mundiais.
Confira abaixo, os 10 jogadores que mais faturam na atualidade e como eles lidam com o leão.
Cristiano Ronaldo
No topo da pirâmide está Cristiano Ronaldo, com ganhos estimados em 275 milhões de dólares anuais. O craque português, que hoje atua na Arábia Saudita, beneficia-se de um regime fiscal onde o imposto sobre o salário é praticamente zero.
Além disso, ele utiliza estruturas corporativas em paraísos fiscais e empresas de direitos de imagem para gerir seus contratos de patrocínio globais. O jogador conta com Miguel Marques, um gestor que trabalha exclusivamente para ele e que fica responsável por encontrar as melhores alternativas do ponto de vista financeiro e tributário.
Lionel Messi
O argentino ocupa a segunda posição, faturando cerca de 135 milhões de dólares por ano no Inter Miami.
Nos Estados Unidos, o planejamento envolve o uso de sociedades de responsabilidade limitada e a exploração de benefícios fiscais estaduais na Flórida, que não cobra imposto de renda estadual, permitindo que o argentino retenha uma fatia maior de seus ganhos comerciais.
Neymar Jr.
O brasileiro aparece logo em seguida, com rendimentos na casa dos 110 milhões de dólares. O brasileiro é conhecido por utilizar empresas de gestão de imagem de longa data.
Essa estratégia permite que parte do seu salário seja tributada como pessoa jurídica, cujas alíquotas costumam ser menores do que as aplicadas aos altos salários de pessoas físicas em países europeus.
Recentemente, o jogador ganhou uma batalha no TRF 3 que anulou parte substancial de cobranças da Receita Federal.
Karim Benzema
A lista segue com o francês Karim Benzema, que embolsa 104 milhões de dólares anuais. Assim como Ronaldo, a mudança para o futebol saudita foi um drible certeiro no fisco francês, um dos mais rigorosos do mundo.
Ao transferir sua residência fiscal, ele deixa de pagar as alíquotas que poderiam ultrapassar 45% sobre sua renda total.
Kylian Mbappé
Agora no Real Madrid, fatura 90 milhões de dólares e lida com a legislação espanhola. Para reduzir custos, atletas na Espanha frequentemente utilizam a estrutura de 85/15, onde 15% do contrato é pago via direitos de imagem para uma empresa, pagando menos impostos do que se todo o montante fosse recebido como salário em folha.
Erling Haaland
O jogador do Manchester City, recebe 60 milhões de dólares. No Reino Unido, o planejamento passa por fundos de pensão e investimentos em empresas de tecnologia e moda. O atacante norueguês foca em diversificar o patrimônio para que a rentabilidade futura seja tributada como ganho de capital, e não como renda do trabalho.
Vini Jr
O principal nome brasileiro na atualidade, arrecada cerca de 55 milhões de dólares. Ele segue o modelo de seus colegas de clube, priorizando a gestão profissional de sua marca global. Ao centralizar seus ganhos de publicidade em empresas sediadas em locais com tributação favorecida, ele garante a preservação de sua fortuna.
Salah
Com 55 milhões de dólares, utiliza uma estratégia sofisticada no Reino Unido baseada em empresas de marketing pessoal. O egípcio canaliza seus vultosos contratos com marcas de material esportivo e bebidas através dessas entidades, o que permite abater despesas legítimas de agenciamento e logística antes da tributação final sobre o lucro da empresa.
Mané
O jogador fatura 54 milhões de dólares e, ao jogar na Arábia Saudita, desfruta de uma das maiores vantagens fiscais do mundo esportivo atual. Além da isenção de imposto de renda sobre o salário no clube, o senegalês utiliza fundos de investimento social e imobiliário em sua terra natal, aproveitando tratados de bitributação para proteger os ganhos enviados ao exterior.
De Bruyne
Por fim, Kevin De Bruyne fecha a lista com com 39 milhões de dólares e um planejamento focado em previdência e sucessão.
O belga utiliza estruturas de fundos de pensão privados permitidos pela legislação britânica para diferir o pagamento de impostos. Ele também investe em propriedades através de veículos societários que permitem deduções por depreciação e manutenção de ativos.
Ambos utilizam consultorias internacionais para gerir residências fiscais e investimentos imobiliários que oferecem deduções legais. A inteligência contábil é o que mantém esses atletas no topo do ranking financeiro.
Se esses dez astros morassem e trabalhassem no Brasil, o cenário seria drasticamente diferente. Pela tabela progressiva do Imposto de Renda de 2025, rendimentos acima de 55 mil reais mensais já entram na alíquota máxima de 27,5%. Para quem ganha milhões, a conta seria astronômica.
Considerando apenas o rendimento anual de Cristiano Ronaldo, ele pagaria aproximadamente 75 milhões de dólares em impostos no Brasil.
A diferença entre o que eles pagam lá fora e o que pagariam aqui explica por que o planejamento tributário é a primeira contratação de um jogador de elite. Sem uma estrutura societária sólida e o uso inteligente das leis internacionais, mais de um terço da fortuna desses ídolos poderia desaparecer em impostos e contribuições sociais.
Essa realidade mostra que a carreira de um jogador de futebol é curta, mas o patrimônio precisa ser eterno.
Texto de Gazeta Jus Contábil
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